quarta-feira, junho 28, 2006

O dia do passeio



Já passou o passeio e, como de costume, correu tudo bem.
Este ano, aliás, foi tudo muito calmo, ainda mais calmo do que o habitual. Embora para muita gente pareça um exagero o que nós fazemos - ir para a praia com centenas de adolescentes! - a verdade é que os miúdos se têm portado sempre muito bem. E, naturalmente, isso funciona como motivação para que a experiência se repita ano após ano.
Mas, apesar disso, desta vez o número de participantes reduziu muito - só foram seis autocarros. A razão principal para esta redução deve-se, essencialmente, ao facto de haver um número elevado de alunos em plena época de exames. Nos outros anos, os alunos de 11º não faziam exames e, este ano, a maioria deles tem exame na sexta-feira e na próxima segunda-feira. Portanto, é natural que tenham ficado a estudar, ainda mais que os exames que vão realizar são das disciplinas que, provavelmente, lhes darão acesso ao ensino superior, para o próximo ano.
Quanto à fraca participação dos professores, não é de admirar tendo em conta o ano que passámos...
De qualquer das formas, foi muito agradável o convívio: bom tempo, uma praia (a de Moledo) e uma mata (a do Camarido) quase só para nós, permitiu que terminássemos o ano lectivo em beleza!
Agora os alunos quase todos vão de férias e nós ficamos a tratar dos exames, das matrículas, das turmas, das burocracias...
Entretanto, aí ficam algumas fotografias para memória futura...

Passeio Escolar

Hoje é dia de passeio e eu, como sempre, lá estarei.
Este ano, com os exames tão concentrados, e sendo o passeio no meio deles, a maioria dos alunos não participará nesta actividade. Tenho muita pena, principalmente do grupo do 12º ano, que está prestes a abandonar-nos, e não vai participar no passeio.
Amanhã (ou logo, visto já estarmos no dia 28!), vamos até Moledo e contamos que S. Pedro, como sempre, nos presenteie com um dia bonito. Vamos lá a ver!... Principalmente, esperamos que seja um dia de alegre confraternização, a deixar boas recordações, como tantos outros passeios que se têm realizado ao longo dos anos.
Aí ficam alguns rostos simpáticos de colegas que, noutros anos e noutros passeios, estiveram connosco:

terça-feira, junho 27, 2006

Continuam os exames...

Hoje foi dia de exame de Matemática. Claro que houve outros exames, mas as atenções voltaram-se, como sempre, para a Matemática.
É um fenómeno estranho o que se passa com esta disciplina. Ano após ano, a relação dos alunos com a Matemática mantém-se negativa; não há forma de se chegar à reconciliação! Julgava que desta vez os alunos saíriam mais satisfeitos do exame, mas parece que ainda não foi desta.
Fui vigilante numa sala de exames e até doía ver a tristeza daqueles jovens, debruçados sobre o enunciado e procurando dar respostas, mas pouquíssimo inspirados. Não entendo, juro que não entendo!...
Mas nem tudo está mal neste reino! Portugal continua a ganhar, no futebol, e eu já entreguei os exames corrigidos - 90! - e as classificações foram bastante razoáveis. Vá lá, vá lá!...

domingo, junho 25, 2006

Uma pequena pausa



Depois de uma semana cheia de reuniões e de exames, hoje foi dia para descontrair. A partir de amanhã retomamos o trabalho. As correcções têm de estar prontas até quarta-feira...

segunda-feira, junho 19, 2006

O menino de sua mãe

Eis o poema de Fernando Pessoa - gírissimo! - que saíu no exame do programa antigo e que deixou os alunos tão satisfeitos (ainda bem!):

O menino de sua mãe

No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado
- Duas, de lado a lado-,
Jaz morto, e arrefece

Raia-lhe a farda o sangue
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos

Tão jovem! Que jovem era!
(agora que idade tem?)
Filho unico, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino de sua mãe».

Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve
Dera-lhe a mão. Está inteira
É boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.

De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço... deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.

Lá longe, em casa, há a prece:
"Que volte cedo, e bem!"
(Malhas que o Império tece")
Jaz morto, e apodrece,
O menino de sua mãe.

Exames Nacionais

Pronto, não faço o totoloto - parece que não tenho grande futuro na arte da adivinhação - só acertei no "Memorial"!
De qualquer das formas, os alunos parece que, na generalidade, estavam satisfeitos. Vamos lá a ver se se confirma a satisfação! Eu considerei extremamente fácil o exame do programa antigo e um pouco mais exigente o exame do programa novo. Espera-se, neste exame, que os alunos tenham uma maturidade que, às vezes, ainda não têm. É um tipo de prova que, provavelmente, não agrada muito aos "marrões", mas que pode permitir uma boa prestação a um aluno informado e com jeito para a escrita.
Já podem ser consultados os critérios de correcção, na página do GAVE .

domingo, junho 18, 2006

Previsões para o exame

A minha aposta é:
Português B, programa antigo - Sophia de M. Breyner e Miguel Torga e o resumo, claro.
Português B, programa novo - Memorial do Convento + Os Lusíadas e Mensagem + funcionamento da língua: frases subordinadas, construção de frases com palavras homófonas, reescrita com articuladores.
Português A - Eugénio de Andrade, Sofia de Mello Breyner e/ou Miguel Torga + resumo, claro.
Se acertar, vou logo fazer o totoloto; se não acertar, paciência!
Espero é que seja um exame que permita uma correcção com o máximo de objectividade possível, embora em Português isso nem sempre seja fácil. Os resumos, por exemplo, têm dado para muitas discrepâncias na correcção.
Acima de tudo, espero que os alunos vão com a cabeça fresca, pois, se conseguiram chegar até aqui, não há razão nenhuma para não concluirem com sucesso este ciclo.

O exame é já amanhã!

Às 9 horas da manhã, começa o exame de Português, de 12º ano. Como este ano não houve provas modelo, estamos todos ansiosos que o amanhã chegue e que o exame venha de encontro ao trabalho que se realizou durante o ano. Vamos lá a ver!
Entretanto, oremos:

Pai Nosso (Versão Damaia)
Hey brother que tás no alto
Não sejas cota não sejas ralha
Aceita no teu reino a maralha
Tas a ouvir Man? Yo
Dá-nos os morfes do dia a dia
Desculpa lá qualquer coisinha
Qu'a gente perdoa-lhes também
Livra-nos do mal, livra-nos da bófia
Tu tens o power
Tu tens a glory
Agora Man
Para sempre Man
Fica cool
Tasse bem
Yo
Encandescente

IV Encontro Gímnico

















Embora sem o brilho dos anos anteriores (vá-se lá saber porquê!), realizou-se mais um encontro gímnico na nossa escola.
No meio de todas as demonstrações, destacaram-se as crianças que se iam divertindo umas com as outras, enquanto as exibições dos diferentes grupos iam decorrendo com alguma falta de entusiasmo.

quarta-feira, junho 14, 2006

Não é nada comigo

Primeiro levaram os comunistas,
mas eu não me importei,
porque não era nada comigo

Em seguida levaram alguns operários,
mas a mim isso não me afectou,
porque eu não sou operário.

Depois prenderam os sindicalistas,
mas eu não me incomodei,
porque nunca fui sindicalista.

Logo a seguir,
chegou a vez dos padres,
mas como eu não sou religioso,
também não liguei.

Agora levaram-me a mim e,
quando percebi,
já era tarde.

Bertolt Brecht

Professora, com orgulho,pois claro!

Não sei quem fez, mas gostei e saquei para aqui...

Estou descontente - faço greve!

Eu, hoje, faço greve, porque, neste momento, é a única forma que tenho para mostrar aos senhores que mandam nisto que:
- não aceito a forma como estão a tratar os professores,
- rejeito as alterações que querem fazer ao nosso estatuto,
- mereço ser tratada com respeito...
... e espero que os meus colegas concordem comigo e façam greve como eu.
Pela blogosfera encontrei outros que, como eu, fizeram greve e fiquei contente. Não os conheço, mas hei-de conhecê-los cada vez melhor, visitando esta, esta, mais esta e esta e muitas outras salas de aula. E havemos de conseguir que nos ouçam!

terça-feira, junho 13, 2006

"Morrer é só não ser visto"

A 13 de Junho de 1888 nasceu Fernando Pessoa e a 13 de Junho de 2005 morreu Eugénio de Andrade - "Morrer é só não ser visto", disse o Fernando.

Procuro-te

Procuro a ternura súbita,
os olhos ou o sol por nascer
do tamanho do mundo,
o sangue que nenhuma espada viu,
o ar onde a respiração é doce,
um pássaro no bosque
com a forma de um grito de alegria.
Oh, a carícia da terra,
a juventude suspensa,
a fugidia voz da água entre o azul
do prado e do corpo estendido.
Procuro-te: fruto ou nuvem ou música.
Chamo por ti, e o teu nome ilumina
as coisas mais simples:
o pão e a água,
a cama e a mesa,
os pequenos e dóceis animais,
onde também quero que chegue
o meu canto e a manhã de maio.
Um pássaro e um navio são a mesma coisa
quando te procuro de rosto cravado na luz.
Eu sei que há diferenças,
mas não quando se ama,
não quando apertamos ao peito
uma flor ávida de orvalho.
Ter só dedos e dentes é muito triste:
dedos para amortalhar crianças,
dentes para roer a solidão,
enquanto o verão pinta de azul e céu
e o mar é devassado pelas estrelas.
Porém eu procuro-te.
Antes que a morte se aproxime, procuro-te.
Nas ruas, nos barcos, na cama,
com amor, com ódio, ao sol, à chuva,
de noite, de dia, triste, alegre - procuro-te...
Eugénio de Andrade

Eugénio de Andrade


















(Caricatura feita pelo Rui)
Foi há um ano que Eugénio de Andrade morreu, como qualquer mortal. Mas o que o distingue dos outros mortais permanecerá eternamente, pois soube, como poucos, dar um sentido único às palavras.
Eugénio sempre!

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.

domingo, junho 11, 2006

Concerto de solidariedade




No âmbito da campanha "Uma escola - uma causa", a favor da reconstrução de uma escola em Lacluta, Timor, realizou-se um espectáculo de solidariedade, ontem, dia 10 de Junho, com vários artistas convidados. A noite estava agradável e o espectáculo foi animado; pena foi a pouca afluência de espectadores. Porque será que as pessoas participam cada vez menos nestas iniciativas? Terão umas vidas tão cheias que não lhes resta tempo para mais nada ou, ao contrário, tão vazias que nem reparam que há vida na terra? Será só uma questão de individualismo ou estaremos tão solitários que cada vez nos isolamos mais? Ou???...

Jantar de Finalistas





















Foi um belo jantar, sim senhor! Muita animação, algumas lágrimas, já muitas saudades - um momento para recordar e guardar para sempre.

sábado, junho 10, 2006

Dia de Portugal

NEVOEIRO

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a Hora!

Valete, Fratres.
Fernando Pessoa, Mensagem

sexta-feira, junho 09, 2006

Para os meus alunos

Após tantos anos a ver-vos chegar
e a deixar-vos partir
alheios ou inquietos quanto
ao parentesco das ideias e dos actos
o direito às perguntas e a fonte
das perguntas,

gostaria de chamar-vos, um a um,
pelo vosso nome,

saber se estive, perto ou longe,
em vossas dúvidas. É sempre
uma questão mútua de ser.
Uma presença e não
um resultado.

Mas nem sempre soubestes que crescíamos
entre ódios, fanatismos, cobardias,
com olhos vendados pelo conforto
e o medo, com ter-se ou não ter-se
vantagens, aplausos, soluções privadas.
E como foi possível ter razão
sem ter as circunstâncias.

Agora os vossos rostos passam, firmes,
entre visão e facto, entre o amor
e a chegada de todos ao amor.

Mas também morro mais depressa agora.

por isso gostaria de chamar-vos, um a um,
pelo vosso nome. E agradecer-vos a herança
da alegria. E dizer uma vez mais que é sempre
uma questão mútua de ser. Uma presença
e não um resultado.

E os vossos rostos todos
hão-de ajudar-me a envelhecer
sem angústia ou vergonha
e a estar convosco na verdade

e a buscá-la juntos e a cumpri-la.

Victor Matos e Sá, in Companhia Violenta















Vinte e dois anos depois, mais um grupo a deixar saudades: alunos de artes do 12º ano.

quinta-feira, junho 08, 2006

O futuro...

"Acredito no Quinto Império, porque senão o acto de viver era inútil. Para quê viver se não achássemos que o futuro vai trazer-nos uma solução que cure os problemas das sociedades de hoje?"
Agostinho da Silva

terça-feira, junho 06, 2006

Mark Twain disse...

"É melhor manter a boca fechada e parecer estúpido do que abri-la e não deixar margem para dúvidas."
Será?

segunda-feira, junho 05, 2006

Dia do Ambiente

Uma vez que hoje se comemora o dia do ambiente, por que não dar uma espreitadela ao nosso planeta?
http://earthobservatory.nasa.gov

Plano Nacional de Leitura

A propósito do projecto do Ministério da Educação, que arrancará em Setembro e que conta com um orçamento de dois milhões de euros, eis a opinião de José Saramago:
«Não vale a pena o voluntarismo; é inútil. Ler sempre foi e será coisa de uma minoria. Não vamos exigir a todo o mundo a paixão pela leitura. Mal vão as coisas quando é preciso estimular, pois ninguém precisa de estímulos para se entusiasmar com o futebol, que tem uma operação de propaganda fabulosa. Vivemos numa situação confusa, baralhando "instrução", ligada ao conhecimento, e "educação", ligada aos valores.»
É isso, digo eu...

sexta-feira, junho 02, 2006

Uma escola - uma causa

No Dia Mundial da Criança, pretendia-se que todos vestissem a t'shirt da campanha para a construção da escola em Lacluta, Timor.
Aqui fica o bom exemplo do nosso Vice:

quinta-feira, junho 01, 2006

Dia da Criança

«Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças...»
Fernando Pessoa

A 20 de Novembro de 1959, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou unanimemente a Declaração dos Direitos da Criança. Constitui ela uma enumeração dos direitos e das liberdades que, segundo o consenso da comunidade internacional, pertencem a toda e qualquer criança.E porque hoje se comemora o seu dia, por que não lembrar esses direitos tantas vezes esquecidos, clicando no endereço abaixo?

http://www.ekincaglar.com/coin/flash.html

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