quarta-feira, janeiro 31, 2007

Ou isto ou aquilo

Ou se tem chuva e não se tem sol,
Ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel;
Ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
Quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
Estar ao mesmo tempo nos dois lugares!

Cecília Meireles

Solidariedade com a AMI


O 10ºM - alunos e professores - organizou um lanche para angariar fundos para a AMI.
Gostei deste gesto solidário - e, além disso,estava tudo muito bom mesmo!

terça-feira, janeiro 30, 2007

1 livro acontece


Em 2007, faz cem anos que Miguel Torga nasceu e, em 17 de Janeiro, fez 12 anos que ele morreu.
Será o poeta do mês, na nossa biblioteca.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Ao desconcerto do mundo

Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado:
Assim que só para mim
Anda o mundo concertado.

Camões

Gato Fedorento - Assim não

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Confraria do doce

Hoje, foi a minha vez de fazer a sobremesa.
Temos comido doces e mais doces e esta gente está a ficar gorda que se farta - os outros, eu não! Então resolvi evitar um pouco o doce e preparei fruta variada para acompanhar com um pouco de fondue de chocolate - e não esteve nada mal!...

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Jornal da Escola



Graças ao esforço de alguns - grande destaque para o Zé! - o primeiro número do jornal Contacto já aí está e foi apresentado publicamente, na biblioteca da nossa escola.
Brevemente, estará disponível on line, juntamente com a Rádio Escola. Para já, podem ler apenas a primeira meia página, aí em cima...
Eu vou aproveitar para ler o jornal todo, enquanto está fresquinho!...

terça-feira, janeiro 23, 2007

Argumentos de antigamente....

No dia 3 de Abril de 1982, num debate sobre a descriminalização do aborto, na Assembleia da República, João Morgado, na altura deputado do CDS, afirmou que «O acto sexual é para ter filhos».
Natália Correia, deputada também nessa época, teve resposta pronta e em verso e fez rir todas as bancadas parlamentares, sem excepção, tendo os trabalhos parlamentares sido interrompidos por isso:

Já que o coito - diz Morgado -
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração! -
uma vez. E se a função
faz o órgão - diz o ditado -
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.
Não se notando grande evolução nas mentalidades, os argumentos que agora se têm utilizado continuam ao nível dos do Morgado - ridículos, na maioria dos casos!

domingo, janeiro 21, 2007

Sugestão de domingo - Viagem ao fundo do mar

Safari to Burma (Myanmar) and the Similan Islands with Santana Diving of Phuket, Thailand.
(Não abrindo, clicar aqui)

sábado, janeiro 20, 2007

Fiama Hasse Pais Brandão (1938-2007)

Sem vento, a minha voz secou
aqui, neste parque de cedros quietos.

Tudo é como ontem era, mas a minha
voz, na minha face, calou-se,
porque só o vento me trazia a fala,
vinda de algures, com notícias de alguém,
indo para além, para outros ouvidos, num país.

Cântico Negro

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!

José Régio (ouvir declamação de João Villaret)

Receita da Rosa

Leite creme à N101

1 l. de leite
4 colheres de sopa rasas de maizena
7 colheres de sopa de açúcar
1 gema de ovo
Casca de ½ limão
1 pitada de sal

Juntar em cru todos os ingredientes; levar ao lume, mexer sempre até levantar fervura e deixar ferver 1 min.; retirar do lume, deixar arrefecer um pouco e queimar a gosto. (Com fogão eléctrico proceder da mesma forma.)
Nota: para a apresentação: colocar em taça alta para transportar; uma vez no carro, efectuar uma travagem suficientemente brusca na Nacional 101 para obter o efeito pretendido.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Confraria do doce

Aí fica um resumo das três últimas semanas - as primeiras do ano:
Começámos, na primeira sexta-feira, com leite-creme da Rosa - temos fotografia, mas falta a receita (ficamos a aguardar!) Na sexta-feira seguinte, foi a Isabel que fez a sobremesa. Não há foto, mas há receita:

Bolo de Banana

Esta é uma receita originária da ilha do Pico nos Açores, onde os bolos de fruta são muito comuns. As bananas cultivadas na ilha são pequenas e muito saborosas, semelhantes àquelas que os continentais designam como bananas da Madeira.

Ingredientes
2 Canecos de farinha
2 Canecos de açúcar
2 Ovos inteiros
½ Caneco de óleo
Leite q.b. para pôr a massa na consistência adequada
3 Bananas grandes (ou 6 bananas da Madeira) bem maduras
Baunilha a gosto
Raspa de 1 laranja
1 colher de fermento
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1 colher de chá de vinagre
1 caneco de nozes picadas (facultativo)

Misturam-se sucessivamente os ingredientes referidos. O leite resume-se a uma pequena porção, dependendo a sua quantidade da consistência da massa. As bananas devem ser amassadas com um garfo antes de adicionadas aos restantes ingredientes.
A forma é untada com manteiga e farinha.
A massa vai ao forno, a temperatura média, durante cerca de 40 minutos.
Por último, esta sexta-feira pertenceu ao Álvaro. Não há receita, mas há foto:


O bolo é negro, porque estamos de luto - já foi publicado o ECD. Incrível como conseguiram ser tão despachadinhos!...

terça-feira, janeiro 16, 2007

Fala do Embrião

Todos eles estão lá para me proteger: a Igreja, o Estado, os médicos e os juízes.
Querem que eu cresça e medre; querem que eu durma o meu soninho de nove meses, que me trate como deve ser — tudo para meu bem. Eles tomam conta de mim. Velam por mim. Ai dos meus pais, se me fazem alguma coisa; caem-lhes logo todos em cima. Quem me tocar será castigado; a minha mãe vai logo parar à cadeia e o meu pai vai-lhe fazer companhia; o médico que fez o serviço é obrigado a deixar de ser médico; a parteira que deu uma ajuda vai presa — é que eu sou uma preciosidade.
Todos eles estão lá para me proteger: a Igreja, o Estado, os médicos e os juízes.
Durante nove meses.
Mas, passados estes nove meses, sou eu que tenho que olhar pela minha vida.
Tuberculose? Não há médico que me valha. Nada que comer? Nem leite? — Não há Estado que me valha. Tormentos e amargura? A Igreja consola-me, mas não é com isso que eu encho a barriga. E se não tenho uma côdea de pão para roer e caio em roubar: está lá logo um juiz para me mandar prender.
Durante cinquenta anos, ninguém mexe um dedo por minha causa, ninguém. Tenho que me haver sozinho.
Durante nove meses, matam-se todos, se alguém me quer matar. E agora dizei lá:
Não é uma protecção estranha, esta?

Kurt Tucholsky, Hoje Entre Ontem e Amanhã, 1931

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Actividades Extra Curriculares


Depois de terminadas as aulas do 1º período, realizou-se no sábado seguinte, na Casa do Povo da Longra, o já habitual Sarau da nossa escola. Houve teatro, desfile de moda, música, dança e muita, muita animação - até quase esquecíamos o frio que lá passámos, não fossem as gripes que vieram na semana a seguir! Não haja dúvida nenhuma que a prata da casa é do melhor - temos artistas! Já estou a ver o futuro de alguns colegas meus (Camilo, Nelson, Elisabete, Isabel, Pedro, Lúcia, Abílio, Sandra...) quando se fartarem da escola - nada de professores substitutos; substitutos sim, mas dos Gato Fedorento!

Também a Associação de Estudantes, que anda extremamente dinâmica, organizou um convívio na escola muito giro, na sexta à noite, com jantar e música, no final. Eu apareci para os fotografar já no fim da festa, quando actuavam uns jovens bons no hip-pop.

Jantar de Natal


A pedido do Emílio, aí ficam algumas fotografias do nosso Jantar de Natal. Foi, mais uma vez, um momento de convívio excelente e merece ser lembrado - tens razão, Emílio! É bonito ver que, apesar do descontentamento que é visível em quase todos nós relativamente a algumas das medidas ministeriais, isto não nos impede, ainda, de gostarmos de estar na escola!

A escola é trabalho, é convívio, é partilha - que isso não se perca nunca!

segunda-feira, janeiro 08, 2007

domingo, janeiro 07, 2007

Sugestão de domingo

Há um novo site na net que, numa parceria do Google Earth com algumas operadoras, nos permite saber a localização exacta de qualquer telemóvel. Para isso, basta indicar o número, sem esquecer o indicativo 351.
Nesse site, coloca-se qualquer número de telemóvel e ele mostra um mapa com a localização exacta de onde está o aparelho. É só clicar aqui.

sábado, janeiro 06, 2007

Jogo

Para relaxar, neste fim de semana, aí vai um joguito; mas cuidado, porque vicia...
A ideia é tentar encestar a bolinha de papel, na cesta do lixo e, para isso é necessário orientar-se pela seta e prestar atenção à velocidade do ventilador.

Declaração de Bolonha

Ao longo do 2º período, pelas 15.00 horas de várias sextas-feiras, realizar-se-á um Ciclo de Conferências sobre a "Declaração de Bolonha", organizadas pelo ISCE e pela nossa escola, no Auditório da Secundária de Felgueiras.
O programa destas conferências está disponível na página da escola.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Não sabemos nada

Nunca saberemos se os enganados
são os sentidos ou os sentimentos,
se viaja o comboio ou a nossa vontade
se as cidades mudam de lugar
ou se todas as casas são a mesma.
Nunca saberemos se quem nos espera
é quem nos deve esperar, nem sequer
quem temos de aguardar no meio
de um cais frio. Não sabemos nada.
Avançamos às cegas e duvidamos
se isto que se parece com a alegria
é só o sinal definitivo
de que nos voltámos a enganar.

Amalia Bautista

quarta-feira, janeiro 03, 2007

terça-feira, janeiro 02, 2007

Poesia para o Ano Novo...

"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a
que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no
limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e
entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra
vez, com outro
número e outra vontade de acreditar que daqui pra
diante vai ser diferente"

Receita de ano novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Meus Melhores Desejos

Que a vida te seja suportável.
Que a culpa não afogue a esperança.
Que não te rendas nunca.
Que o caminho que segues seja sempre escolhido
entre dois pelo menos.
Que te importe a vida tanto como tu a ela.
Que não te agarre o vício
de prolongar as despedidas.
Que o peso da terra seja leve
sobre os teus pobres ossos.
Que a tua recordação traga lágrimas aos olhos
de quem nunca te disse que te amava.

Mis Mejores Deseos

Que la vida te sea llevadera.
Que la culpa no ahogue la esperanza.
Que no te rindas nunca.
Que el camino que tomes sea siempre elegido
entre dos por lo menos.
Que te importe la vida tanto como tú a ella.
Que no te atrape el vicio
de prolongar las despedidas.
Que el peso de la tierra sea leve
sobre tus pobres huesos.
Que tu recuerdo ponga lágrimas en los ojos
de quien nunca te dijo que te amaba.

Amalia Bautista

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