sábado, junho 30, 2007

IX PortoCartoon

Dentição Global

Eis um dos cartoons com que um dos maiores cartoonistas da actualidade - o meu irmão Rui, claro! - concorreu ao PortoCartoon deste ano, cujo tema era a Globalização.

Crónica de Manuel António Pina

Do que tenho medo

Compreendo os propósitos do "site" oficial para denúncia de casos de abuso de menores, apologia do racismo, do terrorismo ou da violência na Net e por isso repito o seu endereço http://linhaalerta.internetsegura.pt. A Net e a blogosfera são lugares privilegiados de exercício de liberdade. Mas a liberdade, sobretudo a liberdade não-condicional (e, hoje, as garras da censura política e económica pairam ameaçadoramente sobre a Net), implica riscos. O mais grave desses riscos é a liberdade de a Net ser, também ela, apropriada pelos inimigos da liberdade. Combater crimes como o abuso de menores, o racismo ou o terrorismo é dever de cidadania. Mas há no texto de apresentação do "site" coisas inquietantes. A primeira é o apelo à denúncia anónima. Não me parece que um bufo anónimo seja um cidadão respeitável e o facto de o Ministério da Educação ser um dos parceiros de um "site" onde se apela à denúncia anónima é um sinal dos tempos ainda mais perturbador. Depois, é a expressão "numa primeira fase" na enumeração dos objectivos do "site". A seguir a uma "primeira fase", vêm naturalmente uma "segunda" e uma "terceira". Talvez eu seja desconfiado de mais, mas dessas é que tenho medo.
Manuel António Pina, Por Outras Palavras, JN

quarta-feira, junho 27, 2007

Entretanto...

As minhas aulas já acabaram há uns dias (11º e 12º anos).
Desde aí muita coisa já aconteceu e, por isso, o tempo para o blog tem escasseado: várias actividades, reuniões, duas direcções de turma e respectiva burocracia, dezenas de exames para corrigir, e uma cansaço imenso, um "suprimíssimo, íssimo, íssimo... cansaço", como diria Álvaro de Campos.
E uma sensação de vazio, de desânimo, de saturação...
E o pressentimento de que o pior ainda está para vir: o ambiente a degradar-se, a insegurança a agravar-se, a certeza de que tudo é incerto e que nós andamos por aqui à toa sem saber o que esperar de tudo isto...
Entretanto, para desanuviar um pouco, amanhã (ou melhor, hoje, daqui a umas horitas!), mais uma vez, vou participar no passeio escolar com centenas de alunos - falta é o entusiasmo de outros anos...

sábado, junho 23, 2007

O "Professor Titular" visto pel' A BOLA

"As nossas escolas lançam-se, definitivamente, na arrojada experiência do mundo da bola. Com uma Ministra apostada em ser um género de Scolari da educação, o Ministério investe na divisão sectarista entre (professores) titulares e suplentes. Os titulares serão, então, convocados à luz de uma escolha surpreendente. Mais importante do que saber dar aulas e ter sucesso na relação educativa com os alunos, interessará saber como pisar a alcatifa dos gabinetes, ter prática de carreira burocrática fora da sala de aulas e, acima de tudo, não ter tido lesões que obriguem a paragens mais ou menos longas no Campeonato, mesmo que por culpa de qualquer sarrafada alheia .A táctica é, pois, não ter vida para além do dever. O destino é entregar a titularidade professoral aos mais dignos ratos de sacristia. Por isso, não bastará saber marcar golos. E, tal como em alguns clubes de futebol manhosos, é preciso não esquecer de elogiar o presidente e ser de uma fidelidade canina ao treinador."
Do jornal A BOLA (pag.9 - Vítor Serpa, Director do jornal)

terça-feira, junho 19, 2007

Bons momentos

Para a Rosita, que hoje faz anos, a lembrar o Karaoke no Gerês, há 2 anos atrás. Viva a boa disposição!

domingo, junho 17, 2007

Exame de Português

É já amanhã!
Se fosse eu a decidir, escolhia um excerto do "Felizmente Há Luar!"
Como não sou eu, acho que vai sair Fernando Pessoa: Mensagem ou Alberto Caeiro.
Logo veremos!... Espero é que, independentemente do conteúdo do exame, os alunos consigam manter a calma e respondam bem às questões e que os resultados sejam bons!
Nota pós-exame: Pois é, falhei, saíu Álvaro de Campos. Mas parece que correu bem - dizem eles!...

É a hora!

" Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, (...) sem uma rebelião, um mostrar de dentes; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai (...) Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta ate à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados (?) na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros, capazes de toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro (...) Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do pais. A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas. Partidos (...) sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes (...) vivendo do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero (...)"
Guerra Junqueiro, in Pátria, escrito em 1896

"Quando é a Hora?"
"Ninguém sabe que coisa quer./ Ninguém conhece que alma tem, / Nem o que é mal nem o que é bem. /(...) Tudo é incerto..." (F. Pessoa, Mensagem)

Chico Buarque - Tanto Mar

Que saudades destes tempos!...

domingo, junho 10, 2007

Jantar de Finalistas

Dia de Camões

No mais, Musa no mais, que a lyra tenho
destemperada e a voz enrouquecida,
e não do canto, mas de ver que venho
cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se accende o engenho
não no dá a patria, não que está mettida
no gosto dea cubiça e na rudeza
de huã austera apagada e vil tristeza.

Os Lusíadas, Canto X , est. 145

Dia de Portugal

A Portuguesa

Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Alfredo Keil, Henrique Lopes de Mendonça

Jornal da Escola

Já saiu o último número do Contacto deste ano. A edição on-line pode ser vista na página do Clube de Imprensa da nossa escola.
Parece impossível que, mesmo congelados, trabalhem tanto e tão bem!...

Um Livro Acontece - 6

Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

Florbela Espanca

quinta-feira, junho 07, 2007

Grandes artistas!

Depois de 2 anos juntos, ontem tivemos a última aula. Mas sei que continuaremos próximos!

Voltei!

Até parecia que continuava em greve, mas não; as tarefas é que têm sido muitas e nem tenho tido tempo para postar. Mas vamos lá a ver se recupero - afinal, nestes últimos tempos, tem acontecido tanta coisa!
Primeiro, estes últimos dias de aulas são sempre um pandemónio: concluir as matérias, corrigir os últimos testes e trabalhos, reuniões a torto e a direito, apreciação de uma série de manuais para escolher só um, elaboração de exames a nível de escola, balanço do ano com relatórios, avaliações e sei lá que mais!... Uma cansêra!
Como se não bastasse, o concurso para titular. É verdade, também concorri! Aliás, acabei de o fazer. E sinto uma certa frustração por, também eu, estar a alinhar nesta fantochada com a qual sempre discordei. Mas, lutei como pude para que isto não acontecesse: fiz as greves, participei nas marchas, assinei petições e tentei convencer os meus colegas a lutarem também. Neste momento, continuo a acreditar que ainda se há-de poder fazer algo mais e este disparate todo que está a acontecer não se manterá eternamente. Mas a verdade, também, é que sei que tenho o direito a progredir na minha carreira - sempre trabalhei para isso! - e não é por ter somado pontos.
Estou a terminar o meu 23º ano como professora. Apesar de já ter desempenhado vários cargos - uns pontuáveis, outros não! - nunca tive menos que três turmas num ano. (Sim, eu sei que sou uma sortuda. Tomara a muitos meus colegas poderem dizer o mesmo!). Mas tenho-me dedicado sempre muito à escola, embora me pareça que nunca trabalhei com tão pouca motivação como agora.
Apesar disso, concorri para titular: sou professora por vocação, gosto dos meus alunos e da minha escola e sempre me dediquei com afinco à minha profissão. Sei de outros que também o fizeram, porventura ainda mais do que eu, e não poderão vir a ser titulares, principalmente por falta de vagas.
Mas eu conto vir a ser uma das "titularizadas" - e isso não me faz mais feliz!...

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