quarta-feira, julho 23, 2008

terça-feira, julho 22, 2008

O Polvo

O polvo (...) debaixo de aparência tão modesta, ou de hipocrisia tão santa é o maior traidor do mar. E daqui sucede que outro peixe, inocente da traição, vai passando desacautelado, e o salteador, que está de emboscada dentro do seu próprio engano, lança-lhe os braços de repente, e fá-lo prisioneiro. Fizera mais Judas? Não fizera mais, porque não fez tanto. Judas abraçou a Cristo, mas outros o prenderam; o polvo é o que abraça e mais o que prende. Judas com os braços fez o sinal, e o polvo dos próprios braços faz as cordas. Judas é verdade que foi traidor, mas com lanternas diante; traçou a traição às escuras, mas executou-a muito às claras. O polvo, escurecendo-se a si, tira a vista aos outros, e a primeira traição e roubo que faz, é a luz, para que não distinga as cores. Vê, peixe aleivoso e vil, qual é a tua maldade, pois Judas em tua comparação já é menos traidor!
Pe. António Vieira

Pe António Vieira

Tenho-me lembrado muito dele...
"(...) mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa salgar. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina; ou porque a terra se não deixa salgar e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhes dão, a não querem receber. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores dizem uma cousa e fazem outra; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o que dizem."
(Sermão de Santo António aos Peixes)

sábado, julho 19, 2008

Ontem à noite, em Guimarães...


Praça da Oliveira e The National, no CCVF - noite espectacular!

Exames

Finalmente, acabou a época de exames! Num mês, fizeram-se milhares de provas a todas as disciplinas e respeitantes às duas fases - já há uns anos que não há época de Setembro. Agora, numa só semana - exactamente 5 dias úteis - repetiram-se os exames de todas as disciplinas, agora na sua 2ª fase.
Pode parecer pouco para quem está por fora, mas foi uma sobrecarga imensa para quem esteve mais envolvido em todo o processo - alunos e professores.
E resultados? Os alunos que quiseram ter mais algum tempo para estudar e deixaram um ou outro exame para a 2ª fase, saíram de lá frustrados, porque, afinal, parece que desta vez os exames foram mais difíceis, especialmente às disciplinas específicas, logo com mais peso na média de acesso ao ensino superior. Muito esforço, pouca compensação!...
Por outro lado, diz-se que muitos jovens não querem saber de nada, não estudam, não se esforçam, nada... Talvez! Mas será que vale a pena esforçarem-se muito? O que temos para lhes oferecer? Pouquíssimo!
Quando eu era estudante, havia exames nacionais nos anos agora designados por 6º, 9º, 11º e 12º. Nos 6º e 9º, dispensava-se dos exames, por secções - Letras e Ciências - desde que a média em cada uma dessas áreas fosse igual ou superior a 12 (as classificações eram de 0 a 20). No 11º dispensava-se por disciplina - tínhamos 6 - desde que a média de 10º e 11º fosse igual ou superior a 14; caso contrário, faríamos exame. No meu 12º ano, então designado "Ano Propedêutico" as aulas eram dadas pela televisão a que assistíamos em casa, tínhamos cinco disciplinas e a única forma de avaliação era o exame: dois exames a cada uma das disciplinas, na altura da Páscoa e no início do Verão, tendo que obter no mínimo 19 valores na soma dos dois exames, a cada uma das disciplinas. O acesso ao ensino superior já era condicionado, pois o numerus clausus tinha sido instituído em 1977, julgo eu. Havia muito menos gente a estudar e a entrada na Universidade era, praticamente, garantia de emprego. Aliás, muitos foram aqueles que começaram logo a dar aulas, independentemente do curso frequentado e da vocação - o ensino massificou-se e não havia professores suficientes. E as escolas foram invadidas por gente com as formações académicas mais díspares: advogados, economistas, engenheiros, arquitectos e muita gente sem curso nenhum, mas com habilitações mínimas para o ensino. De todos estes, muitos gostaram e dedicaram-se completamente à profissão, tendo-se mantido por cá. Outros não gostaram e saíram ou, então, mantiveram-se e contribuíram muito para parte da degradação a que se chegou...
Pouco tempo depois, começa o ensino unificado e, no secundário, as escolas leccionam até ao 12º ano. Nesse 12º ano os alunos tinham apenas 3 disciplinas da sua escolha e foi-se evoluindo da Prova Específica (um ou dois exames), para a PGA e, mais tarde, para o exame nacional às 3 disciplinas frequentadas. Julgo que, apesar do grau de exigência desses exames, esta última foi a fase mais fácil para os alunos acederem ao ensino superior: tinham poucas aulas, apenas as disciplinas preferidas e muito tempo livre - dava bem para acompanharem as aulas, prepararem-se para os exames e ainda para se divertirem.
Actualmente, mais próximo de nós e cada vez mais os alunos vão tendo mais horas de aulas, mais exames, menos tempo e vontade para estudar, mais diversões e mais vontade de se divertirem,... Principalmente, quanto mais nos aproximamos do fim do secundário, parece que mais os alunos vão desligando, talvez como defesa para eventuais derrotas. Claro que há um grupo significativo de alunos que trabalha muito; aliás quase só vive para os estudos. Assistem às aulas todas, têm explicações a tudo e mais alguma coisa, trabalham que se fartam e querem entrar em Medicina. E lá vem uma vez ou outra um exame a dar cabo de tudo: ou é a Matemática, ou a Biologia ou a Química. Um 14 ou 15, no exame de uma destas disciplinas e lá foi tudo por água abaixo... Coisa esquisita esta!
Muito mais havia a dizer sobre os exames, mas a prosa já vai longa e está calor a mais para estar aqui de volta do computador. Vou-me pôr à fresca e ver se consigo escrever a minha reflexão sobre a acção de formação que recebi, oferecida pelo generoso Ministério da Educação: em 25 horas quase que aprendíamos a fazer a Avaliação de Desempenho dos Docentes. Em Setembro, teremos mais horitas e quase de certeza que ficaremos quase doutorados em avaliação dos docentes...

sexta-feira, julho 18, 2008

Já têm um mês


Retalhos da noite

Liars, no Centro Cultural Vila Flor: Praça de Santiago:
Não haja dúvidas - Guimarães continua a ser, para mim, a cidade ideal para espairecer um pouco. E hoje, então, estava uma noite espectacular!

quarta-feira, julho 16, 2008

Desejos

'Na minha próxima vida quero vivê-la de trás para a frente. Começar morto para despachar logo esse assunto. Depois acordar num lar de idosos e sentir-me melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a pensão e começar a trabalhar, receber logo um relógio de ouro no primeiro dia. Trabalhar 40 anos até ser novo o suficiente para gozar a reforma. Divertir-me, embebedar-me e ser de uma forma geral promíscuo, e depois estar pronto para o liceu. Em seguida a primária, fica-se criança e brinca-se. Não temos responsabilidades e ficamos um bébé até nascermos. Por fim, passamos 9 meses a flutuar num spa de luxo com aquecimento central, serviço de quartos à descrição e um quarto maior de dia para dia e depois Voilá! Acaba com um orgasmo! I rest my case.'
Woody Allen

segunda-feira, julho 14, 2008

Sábado à tarde

Em Guimarães: (Museu Alberto Sampaio)

(Praça da Oliveira)

Se no passado se vê o futuro, e no futuro se vê o passado, segue-se que no passado e no futuro se vê o presente, porque o presente é o futuro do passado, e o mesmo presente é o passado do futuro. (Pe. António Vieira)

sábado, julho 05, 2008

Dever cumprido

É isso mesmo - cansada, mas satisfeita!
As aulas acabaram, há agora uma semana de pausa nas reuniões e na formação (este ano não faço matrículas, graças!) e já consegui, finalmente, organizar mais ou menos o lar.
Quanto às notícias sobre os exames - o que já era de esperar. A senhora ministra diz que pela 1ª vez, nos últimos 3 anos, a média nacional a Português é negativa. Eu acrescento - não é nos últimos 3 anos - é desde que se realizam estes exames (há muitos anos!). E acrescento mais: não fosse ter havido reuniões intermédias e os resultados ainda tinham sido piores! É que, perante cenário tão catastrófico, os critérios de correcção foram sendo adaptados e, enquanto decorriam as correcções, "lá de cima" iam sendo dadas indicações para algumas condescendências que não penalizassem tanto os alunos. E há que reler de novo o que já estava corrigido e fazer alterações às cotações - inverosímil, mas real!...
Mas a gravidade destes resultados ainda é maior se atendermos ao facto de, apenas desde o ano 2007, o exame de Português só ser obrigatório para os alunos dos cursos gerais (supostamente os que pretendem continuar estudos). Depois há os outros alunos (por exemplo, dos cursos tecnológicos, profissionais,...) que fazem o exame para servir de específica para acesso ao ensino superior e que, supostamente, deveriam ter 95 pontos, no mínimo. Portanto, as médias a Português deveriam estar a subir e não a descer, como tem vindo a acontecer nos últimos anos.
São os alunos que estão a saber cada vez menos? São os professores que não trabalham? Ou será que "lá em cima" não sabem o que se passa "cá em baixo"? Ou sabem, mas querem, por exemplo, alargar o Plano de Leitura para o Secundário? Enfim... Só sei que nunca tive tão maus resultados na correcção de provas de alunos que, naturalmente, não conheço, mas que até aparentavam escrever razoavelmente e, em alguns casos, evidenciavam ter estudado a matéria. Mas algumas ratoeiras e imprecisões, aliadas aos critérios de correcção completamente absurdos, principalmente para o grupo I, penalizaram os alunos e, com certeza, desgostarão estudantes e professores, quando virem os resultados na 2ª feira. E nós não merecemos isto!
Mas o que está feito, está feito, e é com a certeza do dever cumprido que parto, daqui a umas horitas, para umas miniférias até 4ª feira. Au revoir!...

CANTARÉ, CANTARÁS

Eu também gostaria de ter poder para mudar algumas coisas...

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