O polvo (...) debaixo de aparência tão modesta, ou de hipocrisia tão santa é o maior traidor do mar. E daqui sucede que outro peixe, inocente da traição, vai passando desacautelado, e o salteador, que está de emboscada dentro do seu próprio engano, lança-lhe os braços de repente, e fá-lo prisioneiro. Fizera mais Judas? Não fizera mais, porque não fez tanto. Judas abraçou a Cristo, mas outros o prenderam; o polvo é o que abraça e mais o que prende. Judas com os braços fez o sinal, e o polvo dos próprios braços faz as cordas. Judas é verdade que foi traidor, mas com lanternas diante; traçou a traição às escuras, mas executou-a muito às claras. O polvo, escurecendo-se a si, tira a vista aos outros, e a primeira traição e roubo que faz, é a luz, para que não distinga as cores. Vê, peixe aleivoso e vil, qual é a tua maldade, pois Judas em tua comparação já é menos traidor! Pe. António Vieira
"(...) mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa salgar. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina; ou porque a terra se não deixa salgar e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhes dão, a não querem receber. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores dizem uma cousa e fazem outra; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o que dizem."
Finalmente, acabou a época de exames! Num mês, fizeram-se milhares de provas a todas as disciplinas e respeitantes às duas fases - já há uns anos que não há época de Setembro. Agora, numa só semana - exactamente 5 dias úteis - repetiram-se os exames de todas as disciplinas, agora na sua 2ª fase. Pode parecer pouco para quem está por fora, mas foi uma sobrecarga imensa para quem esteve mais envolvido em todo o processo - alunos e professores. E resultados? Os alunos que quiseram ter mais algum tempo para estudar e deixaram um ou outro exame para a 2ª fase, saíram de lá frustrados, porque, afinal, parece que desta vez os exames foram mais difíceis, especialmente às disciplinas específicas, logo com mais peso na média de acesso ao ensino superior. Muito esforço, pouca compensação!... Por outro lado, diz-se que muitos jovens não querem saber de nada, não estudam, não se esforçam, nada... Talvez! Mas será que vale a pena esforçarem-se muito? O que temos para lhes oferecer? Pouquíssimo! Quando eu era estudante, havia exames nacionais nos anos agora designados por 6º, 9º, 11º e 12º. Nos 6º e 9º, dispensava-se dos exames, por secções - Letras e Ciências - desde que a média em cada uma dessas áreas fosse igual ou superior a 12 (as classificações eram de 0 a 20). No 11º dispensava-se por disciplina - tínhamos 6 - desde que a média de 10º e 11º fosse igual ou superior a 14; caso contrário, faríamos exame. No meu 12º ano, então designado "Ano Propedêutico" as aulas eram dadas pela televisão a que assistíamos em casa, tínhamos cinco disciplinas e a única forma de avaliação era o exame: dois exames a cada uma das disciplinas, na altura da Páscoa e no início do Verão, tendo que obter no mínimo 19 valores na soma dos dois exames, a cada uma das disciplinas. O acesso ao ensino superior já era condicionado, pois o numerus clausus tinha sido instituído em 1977, julgo eu. Havia muito menos gente a estudar e a entrada na Universidade era, praticamente, garantia de emprego. Aliás, muitos foram aqueles que começaram logo a dar aulas, independentemente do curso frequentado e da vocação - o ensino massificou-se e não havia professores suficientes. E as escolas foram invadidas por gente com as formações académicas mais díspares: advogados, economistas, engenheiros, arquitectos e muita gente sem curso nenhum, mas com habilitações mínimas para o ensino. De todos estes, muitos gostaram e dedicaram-se completamente à profissão, tendo-se mantido por cá. Outros não gostaram e saíram ou, então, mantiveram-se e contribuíram muito para parte da degradação a que se chegou... Pouco tempo depois, começa o ensino unificado e, no secundário, as escolas leccionam até ao 12º ano. Nesse 12º ano os alunos tinham apenas 3 disciplinas da sua escolha e foi-se evoluindo da Prova Específica (um ou dois exames), para a PGA e, mais tarde, para o exame nacional às 3 disciplinas frequentadas. Julgo que, apesar do grau de exigência desses exames, esta última foi a fase mais fácil para os alunos acederem ao ensino superior: tinham poucas aulas, apenas as disciplinas preferidas e muito tempo livre - dava bem para acompanharem as aulas, prepararem-se para os exames e ainda para se divertirem. Actualmente, mais próximo de nós e cada vez mais os alunos vão tendo mais horas de aulas, mais exames, menos tempo e vontade para estudar, mais diversões e mais vontade de se divertirem,... Principalmente, quanto mais nos aproximamos do fim do secundário, parece que mais os alunos vão desligando, talvez como defesa para eventuais derrotas. Claro que há um grupo significativo de alunos que trabalha muito; aliás quase só vive para os estudos. Assistem às aulas todas, têm explicações a tudo e mais alguma coisa, trabalham que se fartam e querem entrar em Medicina. E lá vem uma vez ou outra um exame a dar cabo de tudo: ou é a Matemática, ou a Biologia ou a Química. Um 14 ou 15, no exame de uma destas disciplinas e lá foi tudo por água abaixo... Coisa esquisita esta! Muito mais havia a dizer sobre os exames, mas a prosa já vai longa e está calor a mais para estar aqui de volta do computador. Vou-me pôr à fresca e ver se consigo escrever a minha reflexão sobre a acção de formação que recebi, oferecida pelo generoso Ministério da Educação: em 25 horas quase que aprendíamos a fazer a Avaliação de Desempenho dos Docentes. Em Setembro, teremos mais horitas e quase de certeza que ficaremos quase doutorados em avaliação dos docentes...
'Na minha próxima vida quero vivê-la de trás para a frente. Começar morto para despachar logo esse assunto. Depois acordar num lar de idosos e sentir-me melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a pensão e começar a trabalhar, receber logo um relógio de ouro no primeiro dia. Trabalhar 40 anos até ser novo o suficiente para gozar a reforma. Divertir-me, embebedar-me e ser de uma forma geral promíscuo, e depois estar pronto para o liceu. Em seguida a primária, fica-se criança e brinca-se. Não temos responsabilidades e ficamos um bébé até nascermos. Por fim, passamos 9 meses a flutuar num spa de luxo com aquecimento central, serviço de quartos à descrição e um quarto maior de dia para dia e depois Voilá! Acaba com um orgasmo! I rest my case.'
Se no passado se vê o futuro, e no futuro se vê o passado, segue-se que no passado e no futuro se vê o presente, porque o presente é o futuro do passado, e o mesmo presente é o passado do futuro.(Pe. António Vieira)
As aulas acabaram, há agora uma semana de pausa nas reuniões e na formação (este ano não faço matrículas, graças!) e já consegui, finalmente, organizar mais ou menos o lar.
Quanto às notícias sobre os exames - o que já era de esperar. A senhora ministra diz que pela 1ª vez, nos últimos 3 anos, a média nacional a Português é negativa. Eu acrescento - não é nos últimos 3 anos - é desde que se realizam estes exames (há muitos anos!). E acrescento mais: não fosse ter havido reuniões intermédias e os resultados ainda tinham sido piores! É que, perante cenário tão catastrófico, os critérios de correcção foram sendo adaptados e, enquanto decorriam as correcções, "lá de cima" iam sendo dadas indicações para algumas condescendências que não penalizassem tanto os alunos. E há que reler de novo o que já estava corrigido e fazer alterações às cotações - inverosímil, mas real!...
Mas a gravidade destes resultados ainda é maior se atendermos ao facto de, apenas desde o ano 2007, o exame de Português só ser obrigatório para os alunos dos cursos gerais (supostamente os que pretendem continuar estudos). Depois há os outros alunos (por exemplo, dos cursos tecnológicos, profissionais,...) que fazem o exame para servir de específica para acesso ao ensino superior e que, supostamente, deveriam ter 95 pontos, no mínimo. Portanto, as médias a Português deveriam estar a subir e não a descer, como tem vindo a acontecer nos últimos anos.
São os alunos que estão a saber cada vez menos? São os professores que não trabalham? Ou será que "lá em cima" não sabem o que se passa "cá em baixo"? Ou sabem, mas querem, por exemplo, alargar o Plano de Leitura para o Secundário? Enfim... Só sei que nunca tive tão maus resultados na correcção de provas de alunos que, naturalmente, não conheço, mas que até aparentavam escrever razoavelmente e, em alguns casos, evidenciavam ter estudado a matéria. Mas algumas ratoeiras e imprecisões, aliadas aos critérios de correcção completamente absurdos, principalmente para o grupo I, penalizaram os alunos e, com certeza, desgostarão estudantes e professores, quando virem os resultados na 2ª feira. E nós não merecemos isto!
Mas o que está feito, está feito, e é com a certeza do dever cumprido que parto, daqui a umas horitas, para umas miniférias até 4ª feira. Au revoir!...
Isto está lindo! Vai ser cada surpresa! Pena é que não seja uma boa surpresa, mas fez-se o que foi possível. Agora não quero ouvir falar n' Os Lusíadas tão cedo!
Amanhã serão entregues os exames e só na 2ª feira me verei livre dos Profissionais.
Dia 1 de Julho, de novo reuniões de avaliação e outras burocracias...
Estou cansada do trabalho! Fins de semana seguidos a elaborar testes, preparar aulas, corrigir testes e trabalhos e agora, ainda por cima, exames a massacrarem-me a cabeça! Vou parar um dia e vou ao passeio da escola. Na 4ª retomo as aulas e a correcção dos exames.
E o 5 de Julho há-de chegar rápido!...
Agora vou até à caminha e daqui a umas horas (talvez por volta das 11) estarei em Caminha. A praia é já ali...
Junto a esta Mata (Camarido) espectacular, temos a foz do rio Minho de um lado, o mar com o Forte da Ínsua do outro e o Monte de Santa Tecla lá no alto com o seu castro celta - nada melhor do que esta paisagem para o relaxe!...
Começam daqui a meia dúzia de horas e lá estarei eu na escola às 8.30.
Palpites para este ano: Mensagem (e ligação a Os Lusíadas)? Ou Alberto Caeiro? Se fosse eu a escolher, colocava Felizmente Há Luar! e Memorial do Convento. Os outros conteúdos parecem-me menos prováveis, mas nunca se sabe...
Seja lá o que for, espero que os alunos estejam inspirados! Vamos lá sonhar!
As aulas para o 12º acabaram sexta-feira; amanhã é feriado e hoje, 2ª feira, quase que não teria aulas... Mas tenho - os profissionais só acabam no fim do mês e estamos com sorte de termos escapado ao Julho. Vamos lá a ver se para o ano se mantém essa sorte...
Esta semana será, então, de 4 dias e não tão pesada como as anteriores. Ainda bem, pois esta minha cabecinha não anda grande coisa! Nestes 4 dias, além das aulas das turmas de 10º, tenho as reuniões de avaliação de 12º e pouco mais. Para a semana a seguir é que volta a apertar: continuação do trabalho do costume, mais exames para corrigir, reuniões e o que calhar.
Mas não há-de ser nada! E, depois do passeio de domingo, de visita à minha menina, até estou com mais energia...
Um grupo de alunos que pertence a uma espécie que parece estar em vias de extinção - trabalhadores, simpáticos, solidários, amigos e liiiindos!... Faltam cá alguns, mas a excitação era tanta que estava sempre alguém a desaparecer. Portanto, fica aqui o registo do momento em que consegui juntar o maior número deles para que se veja como estavam giros!... O mesmo grupo, depois da última aula, e antes de se prepararem para a festa: Espectaculares! Muita sorte para todos!
Perto de Tóquio vivia um grande samurai, já idoso, que agora se dedicava a ensinar o zen aos jovens. Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário. Certa tarde, um guerreiro conhecido pela sua total falta de escrúpulos apareceu por ali. Era famoso por utilizar a técnica da provocação: esperava que o seu adversário fizesse o primeiro movimento e, dotado de uma inteligência privilegiada para reparar os erros cometidos, contra-atacava com velocidade fulminante. O jovem e impaciente guerreiro jamais havia perdido uma luta. Conhecendo a reputação do samurai, estava ali para derrotá-lo e aumentar sua fama. Todos os estudantes se manifestaram contra a ideia, mas o velho aceitou o desafio. Foram todos para a praça da cidade, e o jovem começou a insultar o velho mestre. Chutou algumas pedras na sua direcção, cuspiu no seu rosto, gritou todos os insultos conhecidos, ofendendo inclusive seus antepassados. Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível. No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se. Desapontados pelo facto de o mestre aceitar tantos insultos e provocações, os alunos perguntaram: - Como o senhor pôde suportar tanta indignidade? Por que não usou sua espada, mesmo sabendo que podia perder a luta, ao invés de mostrar-se covarde diante de todos nós? - Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente? - perguntou o Samurai. - A quem tentou entregá-lo - respondeu um dos discípulos. - O mesmo vale para a inveja, a raiva, e os insultos. - disse o mestre - Quando não são aceites, continuam pertencendo a quem os carregava consigo. A sua paz interior, depende exclusivamente de você. As pessoas não lhe podem tirar a calma. Só se você permitir...
... é, depois de cento e tal aulas com um grupo de alunos, ter a certeza que não fui capaz de lhes ensinar nada! E isto apesar dos vinte e tal anos de profissão... Derrotada por KO!
Que vontade de voltar a outras turmas, a outros tempos!...
A Pobreza Zero (GCAP Portugal) entregará no dia 3 de Junho na Reunião da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) uma petição aos Líderes do G8, da ONU, da União Europeia e de Portugal para que promovam medidas imediatas para diminuir os impactes da crise alimentar junto dos mais pobres. Além de sobrecarregar o já reduzido orçamento das classes mais baixas e dos 800 milhões de pessoas que sofrem de fome crónica, esta crise traz a fome a mais 100 milhões de pessoas. Do Bangladesh ao Haiti, a população mundial está a protestar, literalmente lutando pela sobrevivência. Só na Serra Leoa o preço do arroz duplicou, deixando 90% da população abaixo do limiar de pobreza.
Tanto acções humanitárias, quanto reformas no sistema comercial agrícola são necessárias para minorar os efeitos da crise. Mais do que isso, precisamos de soluções sustentáveis para nós e para as gerações futuras.
Assina agora a petição e não te esqueças de passar esta mensagem para todas as pessoas que conheces, pois todos nós seremos afectados pela crise alimentar.
A petição será entregue na conferência da FAO e em encontros políticos de alto nível que terão lugar até final de Julho de 2008.
Vai ao site www.pobrezazero.org e participa activamente nas nossas acções!