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quarta-feira, agosto 26, 2009

A propósito da divisão da carreira...

Estou, tal como a 3za, optimista e acredito que esta divisão injusta vai acabar.
Eis parte da sua reflexão:
Em boa verdade, confesso, sempre disse lá na escola que um dia isto acabava, voltaríamos todos a ser professores, e encontraríamos uma forma justa de avaliação e de progressão que realmente premiasse o mérito (recebi muitas vezes de volta a resposta: nem penses, isto agora vai ficar assim para sempre, mais vale aceitar!).
Continuo a acreditar que vai acontecer. Talvez porque seja uma optimista ingénua. (...)
Confio na democracia e na seriedade das pessoas sérias (ainda devem existir muitas).
Todos já percebemos que isto não faz qualquer sentido, nasceu muito torto e causou muitos danos. Insistir no erro acabaria com a minha crença na justiça e na inteligência colectivas. Acabaria com a minha noção (meio infantil, sei) de esperança. Minaria a minha confiança na lógica das coisas.
Não consigo sequer imaginar que isso possa acontecer.
Daqui a uns meses, muitas destas coisas não passarão de sonhos maus que feriram de morte a Escola e a Educação, roubaram de forma vil tempo precioso que devia ter sido destinado aos alunos, afastaram do sistema muitos excelentes profissionais.
Teremos de reunir todas as forças para combater mais estes fogos de Verão e reconstruir sobre as cinzas, lá para o Outono e Inverno, a bem das crianças que servimos e que nunca foram uma prioridade na esmagadora maioria das decisões tomadas.

sábado, julho 19, 2008

Exames

Finalmente, acabou a época de exames! Num mês, fizeram-se milhares de provas a todas as disciplinas e respeitantes às duas fases - já há uns anos que não há época de Setembro. Agora, numa só semana - exactamente 5 dias úteis - repetiram-se os exames de todas as disciplinas, agora na sua 2ª fase.
Pode parecer pouco para quem está por fora, mas foi uma sobrecarga imensa para quem esteve mais envolvido em todo o processo - alunos e professores.
E resultados? Os alunos que quiseram ter mais algum tempo para estudar e deixaram um ou outro exame para a 2ª fase, saíram de lá frustrados, porque, afinal, parece que desta vez os exames foram mais difíceis, especialmente às disciplinas específicas, logo com mais peso na média de acesso ao ensino superior. Muito esforço, pouca compensação!...
Por outro lado, diz-se que muitos jovens não querem saber de nada, não estudam, não se esforçam, nada... Talvez! Mas será que vale a pena esforçarem-se muito? O que temos para lhes oferecer? Pouquíssimo!
Quando eu era estudante, havia exames nacionais nos anos agora designados por 6º, 9º, 11º e 12º. Nos 6º e 9º, dispensava-se dos exames, por secções - Letras e Ciências - desde que a média em cada uma dessas áreas fosse igual ou superior a 12 (as classificações eram de 0 a 20). No 11º dispensava-se por disciplina - tínhamos 6 - desde que a média de 10º e 11º fosse igual ou superior a 14; caso contrário, faríamos exame. No meu 12º ano, então designado "Ano Propedêutico" as aulas eram dadas pela televisão a que assistíamos em casa, tínhamos cinco disciplinas e a única forma de avaliação era o exame: dois exames a cada uma das disciplinas, na altura da Páscoa e no início do Verão, tendo que obter no mínimo 19 valores na soma dos dois exames, a cada uma das disciplinas. O acesso ao ensino superior já era condicionado, pois o numerus clausus tinha sido instituído em 1977, julgo eu. Havia muito menos gente a estudar e a entrada na Universidade era, praticamente, garantia de emprego. Aliás, muitos foram aqueles que começaram logo a dar aulas, independentemente do curso frequentado e da vocação - o ensino massificou-se e não havia professores suficientes. E as escolas foram invadidas por gente com as formações académicas mais díspares: advogados, economistas, engenheiros, arquitectos e muita gente sem curso nenhum, mas com habilitações mínimas para o ensino. De todos estes, muitos gostaram e dedicaram-se completamente à profissão, tendo-se mantido por cá. Outros não gostaram e saíram ou, então, mantiveram-se e contribuíram muito para parte da degradação a que se chegou...
Pouco tempo depois, começa o ensino unificado e, no secundário, as escolas leccionam até ao 12º ano. Nesse 12º ano os alunos tinham apenas 3 disciplinas da sua escolha e foi-se evoluindo da Prova Específica (um ou dois exames), para a PGA e, mais tarde, para o exame nacional às 3 disciplinas frequentadas. Julgo que, apesar do grau de exigência desses exames, esta última foi a fase mais fácil para os alunos acederem ao ensino superior: tinham poucas aulas, apenas as disciplinas preferidas e muito tempo livre - dava bem para acompanharem as aulas, prepararem-se para os exames e ainda para se divertirem.
Actualmente, mais próximo de nós e cada vez mais os alunos vão tendo mais horas de aulas, mais exames, menos tempo e vontade para estudar, mais diversões e mais vontade de se divertirem,... Principalmente, quanto mais nos aproximamos do fim do secundário, parece que mais os alunos vão desligando, talvez como defesa para eventuais derrotas. Claro que há um grupo significativo de alunos que trabalha muito; aliás quase só vive para os estudos. Assistem às aulas todas, têm explicações a tudo e mais alguma coisa, trabalham que se fartam e querem entrar em Medicina. E lá vem uma vez ou outra um exame a dar cabo de tudo: ou é a Matemática, ou a Biologia ou a Química. Um 14 ou 15, no exame de uma destas disciplinas e lá foi tudo por água abaixo... Coisa esquisita esta!
Muito mais havia a dizer sobre os exames, mas a prosa já vai longa e está calor a mais para estar aqui de volta do computador. Vou-me pôr à fresca e ver se consigo escrever a minha reflexão sobre a acção de formação que recebi, oferecida pelo generoso Ministério da Educação: em 25 horas quase que aprendíamos a fazer a Avaliação de Desempenho dos Docentes. Em Setembro, teremos mais horitas e quase de certeza que ficaremos quase doutorados em avaliação dos docentes...

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Confraria do doce

Esta sobremesa espantosa foi feita pela Natália, há 8 dias atrás. Estava à espera que ela me enviasse a receita, mas enquanto não chega, fica aí a fotografia - de fazer crescer água na boca! A Natália foi para casa aguardar o nascimento das gémeas.
Quando engravidou, não sabia que estas faltas que agora se prepara para dar, ao abrigo da sua dupla maternidade, poderiam vir a ser impeditivas do seu acesso à carreira de titular. E ela, ainda por cima, foi tão poupadinha que fez logo dois de uma vez só! Mas, lá está, vai ter que faltar e isso não pode ser.
Poder-se-ia alegar que, com a baixa natalidade no país, ela estava a contribuir positivamente para a combater - mas isso só não chega; ela está a faltar às aulas!
Acresce ainda que, apesar do médico a mandar ficar em casa, ela trabalhou mais uns dias, fazendo cerca de 40 km, para permitir que fosse contratado substituto de forma a impedir que os alunos ficassem sem aulas. Mas isso continua a não chegar, porque ela agora está a faltar às aulas!...

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